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ENTÃO É NATAL

Acordei e fui voar no iluminado
Imenso céu de, Dezembro frio
E sobre Lisboa voei.
Como está linda e bela a cidade!

As ruas e avenidas brilham cheias de cor
As pessoas andam em corrupio
Entram e saem das lojas apressadas,
Carregadas de sacos, de embrulhos
Cheios de laços
E, sorridentes uns aos outros dão abraços

E então
É natal, há sempre Natal
E nasce eternamente o menino do Bem
Do rico e do pobre
Da paz e da guerra
Do amor sobre a terra
E da esperança também

Em lugares mais recônditos
Onde a luz se apagou
Reina somente a penumbra
Nos obscurecidos recantos
Há homens e mulheres
Sobre velhos cartões deitados
De semblantes cerrados

Nos palcos da guerra
A paz deixou -se morrer
Ao som dos tiros do canhão
E choram os que sofrem com a dor
E com fome, os que não têm pão!

          Durinda Paiva 
                 Dezembro 2023 

AMOR INACABADO

Nem só viver de lamentos, é o que mais desejo
Não me basta saber-me lembrada
Não quero a terra pelo céu trocar
Às vezes oiço o vento soprar
E só por isso, vale a pena ter nascido.

Aos corações que sofrem separados
Em lágrimas no exilio os vejo
Não me basta o afeto simples e sagrado
Com que nas desventuras me protejo
Consomem – me as feridas por sarar
É meu maior ensejo
Humanamente viver e amar, só por amar
Quero a ternura de um abraço
E a doçura do teu beijo.

Mirra-se-me no peito meio abafado
O descontentamento, o enfado do gerado
Não quero o desalento desmesurado
Não há misantropia, pesar ou saudade
De um amor inacabado
Num coração separado.

Durinda Paiva 2023

VIVE E CANTA

Canta ao sol que tens na alma
Alma de poeta é encanto da lua
Lua me sussurra a melodia pura
Pura e cristalina canta a água do rio
Rio onde meu corpo sacio do calor
Calor numa longa noite de verão
Verão, ocaso perdido à beira mar
Mar é canto de ninfas com sabor a sal
Sal, sabor lágrimas regando a vida
Vida criação, evolução, sonata da natureza
Natureza canta a beleza da liberdade
Liberdade de quem vive e canta
Canta, dança á chuva no verde vale
Vale de fresca erva na Levada
Levada na suave pauta de magia
Magia e encanto das noites de poesia
Poesia declamada em roda de meninos
Meninos que nascem, muito amados
Amados e perfilhados, filhos de sua mãe
Mãe desfia alegres rimas e cantigas
Cantigas ressoam nos tempos e no piano
Piano tateado, salpicado de mãos
Mãos pequenas e rosadas da Infância
Infância que dá cor á alma do poeta!

DUDA

UM DIA SEREI

Tempo com imenso amor
Moldura de noite ao luar
Pintura de movimento e cor
Coroa de donzela a cintilar

Lábios doces e rosados
Com muito sabor a menta
Olhos apaixonados
Cheiro de hortelã -pimenta

Música de uma balada
Romance por terminar
Voz aguda da criançada
Com sorrisos de encantar

Céu e terra para amar
Bochecha com sorriso
Canção de embalar
O sono do meu menino

Água com sabor a sal
Doce canto de sereia
Aurora Boreal
Mar revolto na arreia

Sentinela de oração
Espírito puro de amor
Com paz no coração
Versão de mundo melhor

Palavra do ouvinte
Tempero à mesa do pobre
Refúgio do pedinte
Pão de quem tem fome

Caridade e compaixão
Remédio p’ra toda a dor
Abrigo do pecador
Do refugiado um irmão

Chuvisco e terra molhada
Dos crentes eucaristia
Raio de sol e orvalhada
Colina de verde na pradaria

Água que corre no rio
Pura, em noite de luar
Vela branca do navio
Teto para o velhinho abrigar

Luz inebriante
Esperança do teu olhar
Sucesso de principiante
Constelação no céu a brilhar

Reservado direito de autor

DUDA / 2020